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A luta contra as falsas crenças

  • 13 de fev. de 2023
  • 4 min de leitura

Todos temos crenças.


Sejam elas boas ou más, elas fazem parte de nós e condicionam a forma como vivemos.


Muitas delas até podem parecer inofensivas, mas na verdade são limitantes. E outras por si só já são ameaçadoras, mas o costume perante elas já nos faz não querer mudar ou lutar contra.


Mas o que é uma crença?



Bem, de acordo com o dicionário de Língua Portuguesa, uma crença é uma "atitude de espírito de quem admite algo como verdadeiro". Envolve o acto de crer, de acreditar e ainda nos leva a uma convicção profunda.


Aqui está o primeiro alerta. Tudo pode contribuir para a forma em como estamos a levar a nossa vida.


As crenças (conscientes ou inconscientes) podem surgir do contexto familiar, cultural ou de experiências que temos ao longo da nossa vida. E, se não tomarmos cuidado, podem passar a ser verdades que levaremos até ao fim dos nossos dias e ainda transmiti-las às próximas gerações.


Por isso, a pergunta que faço é: o que andamos nós a pensar?

Tudo aquilo que pensamos irá reflectir-se naquilo que iremos acreditar. E o perigo espreita exactamente aqui!


O seio familiar ou até o contexto cultural onde nos inserimos podem incutir-nos ideias limitantes que mais tarde podem levar anos a serem desprogramadas.


Talvez pelo medo de perder alguém ou algo. Pelo medo de abrir mão de tradições, ou pura e simplesmente, por medo do desconhecido. Aprender a reprogramar a nossa mente é uma tarefa árdua e que nos pode colocar em cheque com quem não está disposto a fazer o mesmo.


Mas, se há coisa que aprendi é não enfrentar as falsas crenças que os outros têm (e me tentam incutir ainda que muitas vezes com as melhores intenções) mas sim desviar-me totalmente destes padrões de pensamento.

Por favor, leva sempre em conta o facto de que família e amigos sempre o farão com as melhores das intenções. Então, lembra-te: nunca estejas contra as pessoas. Mas, posiciona-te contra a falsa crença.


Falo por experiência própria quando digo que é normal sentir resistência e até uma certa culpa por querer descartar uma forma de ser e pensar que persistiu na família por tantos anos.


Mas, diante de uma situação assim, eu encorajo-te a fazeres as seguintes perguntas:


  1. Está a colocar-me contra alguém? - porque se está, então está errado;

  2. Está contra a palavra de Deus? - se és cristão, a palavra de Deus é para levar a sério;

  3. Vai contra os bons princípios e valores? - porque se não, então abandona a ideia.


Fazendo estas 3 simples perguntas irá ajudar-te a teres um norte.


Tal como mencionei no texto anterior (podes ler aqui), aceitar certas crenças que nos fazem acreditar que esse é o verdadeiro modo de viver. E pode ser uma autêntica prisão.


Porque para além de estagnar a tua vida, não te permite desenvolveres quem Deus te criou para seres, nem chegar à plena compreensão disso.


Uma das grandes falsas crenças que eu tinha é que as mulheres não tinham espaço para opinião, não tinham voz, e que o ambiente que as cercava era de constante perigo. Assim como cheguei a acreditar que, se a minha avó e a minha mãe não tiveram bons homens, então quem era eu para querer alguém que fosse bom para mim?


Foi-me de tal maneira incutido que eu cheguei a submeter-me a um relacionamento abusivo por total carência e por achar que tudo o que acontecia dentro dele era aceitável (já que eu não conhecia outra realidade).


Com isto, não digo que não existiu a minha cota de responsabilidade - quem é que pode estar de forma saudável num relacionamento quando ainda nem sabe quem é e a carência é a única fonte que conhece?


Mesmo que já se tenham passado anos, a verdade é que só quando saí desse relacionamento me apercebi da quantidade de pensamentos deste género que cercavam a minha mente.


E, adivinha só…, todos errados!


Cresci num ambiente onde os abusos emocionais e físicos eram tão prevalentes que eu nem sempre soube reconhecê-los como errados ou fora do normal.


A minha mãe e avó, ambas mulheres cristãs, não pediram nem impediram tais tratos porque, genuinamente, sempre acreditaram no melhor lado dos seus companheiros e tiveram fé que poderia ser diferente. Mas, existe o outro lado… e eles também precisavam querer.


Tanto que, o meu avô acreditava com todas as suas forças que a melhor forma de estar num casamento era exercer força física, de forma abusiva, com esposa e filhos. Tudo isto porque viu o mesmo exemplo do pai, que o fez crer que isso era ser homem.


Mas, e agora o outro lado?

É a isto que uma mulher tem de se submeter?


Foi aqui que, novamente, Jesus me mostrou que eu precisava mudar toda a forma de pensar. Nunca indo contra as pessoas, mas contra o molde.


Não imitem o comportamento e os costumes deste mundo, mas deixem que Deus os transforme por meio de uma mudança em seu modo de pensar, a fim de que experimentem a boa, agradável e perfeita vontade de Deus para vocês.” - Romanos 12:2

Seja o que for que este mundo considere normal e aceitável, quando eu olho para Cristo é que eu vejo que é tudo menos normal ou aceitável.


Nunca será aceitável para Deus que uma mulher (ou homem ou criança) esteja debaixo do abuso de poder e autoridade de quem quer que seja. Onde é usada força física ou abuso psicológico.


O molde nunca será as opiniões das pessoas, nunca será a forma como executam poder e autoridade, e certamente nunca será a violência ou a colocação de medo contra qualquer ser humano.


Quanto mais eu olho para Cristo mais eu acredito em família, em relacionamentos saudáveis e que posso viver sem odiar os homens - como poderia eu odiar o que Deus abençoou?


Eu escolho acreditar no que é saudável, no que é verdadeiro e no que tem fundamento.


Vindo Dele, vem tudo o que é verdadeiro e agradável. E, mais importante, tudo o que é saudável.


Cá está… Deus sempre foi e sempre será um Pai saudável.






Comentários

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Comentários (29)

Elsa
02 de fev.

Maravilhosa narrativa.

Muito bom, minha flor linda.

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Adriana
30 de set. de 2025

Excelente como sempre!

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Fabiola
05 de ago. de 2025

Falar é uma das expressões e experiências mais incríveis que temos. Mas como falastes, precisamos cuidar com os nosso impulsos, esses podem levantar e podem destruir. Obrigada por essa reflexão.

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Convidado:
22 de out. de 2024

Vou dormir com o coração aquecido com esse texto ❤️

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Convidado:
27 de ago. de 2024

“… nos quer levar a nível de segurança tão grande onde vamos nos sentir livres para deixar toda a dor, todos cacos, nas suas mãos“ 🤯

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Convidado:
27 de ago. de 2024

A forma como abraçaste este viagem e te entregaste, e a coragem que demonstraste, é algo que me deixa sempre sem palavras.

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Convidado:
26 de out. de 2023

Gracias por llevarnos hasta allá! Hasta se me apretó la guata.

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amargaridablog
amargaridablog
Administrador
14 de nov. de 2023
Respondendo a

Hehe como nosotros decimos acá: Ora essa! :)

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Convidado:
18 de out. de 2023

Como amei ler seu texto e poder relembrar os detalhes dessa viagem tão intensa e incrível que fizemos. Obrigada ❤️😇

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amargaridablog
amargaridablog
Administrador
14 de nov. de 2023
Respondendo a

Seria bom voltar, né? Pode ser que um dia tenhamos boas notícias e seja possível voltar com tudo em paz :)

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Armando Marcos
Armando Marcos
18 de jul. de 2023

Muito bom seu texto, e compartilho sua dor pois tive um pai semelhante, e essa questão se estar sempre em alerta até hoje vem comigo

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Convidado:
18 de jul. de 2023

Wow! Que corazón enorme Dios te dió.

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amargaridablog
amargaridablog
Administrador
14 de nov. de 2023
Respondendo a

Sin ninguna duda! :) gracias por leer el texto.

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