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Crianças e a Violência Doméstica

  • 21 de mar. de 2023
  • 3 min de leitura

Atualizado: 28 de mar. de 2023

Segunda Parte - crianças que crescem neste ambiente; como intervir.


Uma autoridade que abusa não nos faz ver Deus como protector.


No meu caso, a figura de autoridade que tinha dentro de casa fez-me sentir medo e pânico devido a cenas de violência em casa. Não tinha como saber lidar com estes sentimentos porque não nasci para ver o que vi e ouvir o que ouvi.



Toda a criança merece - e deve - viver num lar que a protege e a deixa em segurança. Embora não exista a família perfeita, a verdade é que protecção e segurança são os requisitos mínimos.

Porque é tão importante atentar para as crianças?


Em primeiro lugar pela vulnerabilidade.


Por mais que o(a) agressor(a) não atinja fisicamente, a verdade é que são gravadas profundas marcas que as fazem tornarem-se adultos ansiosos, isolados, depressivos ou agressivos. Ou entra o medo ou entra a raiva. Não existe meio termo.


Para além disto, correm sérios riscos de sofrer graves problemas de saúde - causados por fortes questões emocionais. E, ainda, problemas de desenvolvimento social e académico.


A verdade é esta: são agredidas - também - pelos gritos, insultos, ameaças de morte, e por verem os pontapés e os socos que são dados.


Em segundo lugar, porque são esponjas.


Podem estar a ser ensinadas de que aquela é a forma de se tratar a pessoa que o(a) agressor(a) diz amar. Assim como podem estar a aprender (erradamente) que qualquer tipo de violência é um acto de amor.



Como podemos intervir?


Há que prestar atenção aos comportamentos que as crianças apresentam, tais como: medos repentinos, alterações de humor, dificuldade de atenção e carência afectiva.


Caso a criança confesse o que se passa dentro de casa, jamais podemos trair a sua confiança. Temos de ser os primeiros a confiar no que nos conta e agir em conformidade.


Assim que tivermos a oportunidade - sem prejudicar a criança ou quem sofre de violência na casa - há que denunciar de imediato.


Deve ser feita uma denúncia na PSP ou GNR. Ou ainda, denunciar à Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ).


As escolas também devem ser notificadas e agirem em conformidade para que não traga mais consequências dentro de casa.


E como fica em relação à fé?


Mesmo que o faça inconscientemente, a criança vai ver Deus de forma deturpada e ainda acreditar que é um tirano que permitiu que tais coisas acontecessem.


Os pais - ou qualquer outra figura de autoridade - são responsáveis pela imagem que a criança vê de Deus. E, tendo em conta que a maioria da Violência Doméstica é executada por homens, não se admirem de ser difícil que estas crianças - algumas já adultas - vejam Deus como Pai.


A nossa salvação é Jesus, que nos mostrou quem o Pai verdadeiramente é e nada tem a ver com o(a) agressor(a).


Qualquer pai ou mãe - ou outro membro da família - precisa ter em mente que a violência doméstica não só destrói o casamento, como a vida de quem é fruto dele.


Não é da vontade de Deus que meninas cresçam a aprender que a violência é amor; assim como, não é da Sua vontade que meninos entendam que é assim que devem tratar as mulheres. Tal como não é o Seu desejo que ambos cresçam num ambiente de medo.


Ensinar «...a criança no caminho que deve andar» - Provérbios 22:6 - passa pelo exemplo que é dado dentro de casa.



Talvez possas perguntar: “Mas, Ana… como é que Deus existe se a maldade continua e inocentes sofrem?”


É aqui que te faço outra pergunta: Porque é que o ser humano continua a escolher o que é mau? Porque é tão mais fácil colocar a responsabilidade nos braços de quem dizem não existir e não acreditar - nestas alturas parece dar jeito, não é?


Na realidade, não estamos dispostos a nos educarmos sobre como intervir em situações do género - aqui chamo-lhe a síndrome de Caim, que quando Deus lhe perguntou (Génesis 4:9) pelo seu irmão Abel a resposta foi: «...por acaso sou responsável por ele?»


O ser humano tem sempre uma escolha e é responsável por cada uma. A violência é aprendida e é uma escolha se é executada ou não.

A vida destas crianças é importante para Deus, e Ele não deixa passar em branco quem brinca com a vida de inocentes.


Comentários

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Comentários (29)

Elsa
02 de fev.

Maravilhosa narrativa.

Muito bom, minha flor linda.

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Adriana
30 de set. de 2025

Excelente como sempre!

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Fabiola
05 de ago. de 2025

Falar é uma das expressões e experiências mais incríveis que temos. Mas como falastes, precisamos cuidar com os nosso impulsos, esses podem levantar e podem destruir. Obrigada por essa reflexão.

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Convidado:
22 de out. de 2024

Vou dormir com o coração aquecido com esse texto ❤️

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Convidado:
27 de ago. de 2024

“… nos quer levar a nível de segurança tão grande onde vamos nos sentir livres para deixar toda a dor, todos cacos, nas suas mãos“ 🤯

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Convidado:
27 de ago. de 2024

A forma como abraçaste este viagem e te entregaste, e a coragem que demonstraste, é algo que me deixa sempre sem palavras.

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Convidado:
26 de out. de 2023

Gracias por llevarnos hasta allá! Hasta se me apretó la guata.

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amargaridablog
amargaridablog
Administrador
14 de nov. de 2023
Respondendo a

Hehe como nosotros decimos acá: Ora essa! :)

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Convidado:
18 de out. de 2023

Como amei ler seu texto e poder relembrar os detalhes dessa viagem tão intensa e incrível que fizemos. Obrigada ❤️😇

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amargaridablog
amargaridablog
Administrador
14 de nov. de 2023
Respondendo a

Seria bom voltar, né? Pode ser que um dia tenhamos boas notícias e seja possível voltar com tudo em paz :)

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Armando Marcos
Armando Marcos
18 de jul. de 2023

Muito bom seu texto, e compartilho sua dor pois tive um pai semelhante, e essa questão se estar sempre em alerta até hoje vem comigo

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Convidado:
18 de jul. de 2023

Wow! Que corazón enorme Dios te dió.

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amargaridablog
amargaridablog
Administrador
14 de nov. de 2023
Respondendo a

Sin ninguna duda! :) gracias por leer el texto.

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